terça-feira, abril 29, 2008

domingo, abril 27, 2008

Vício

Não me pára a vontade, não se me atenua o desejo. Não me esqueço do gosto do teu beijo. Não me esqueço do calor da tua barriga, nem do sal das tuas costas. Nem do mel nas tuas coxas, nem a canela que tempera o teu segredo. Ainda tenho sede das palavras que me sussurras ao ouvido, e dos teus pés descalços na alcatifa, na areia, no mosaico, na madeira, na lã, na banheira, na colcha. As mãos na parede, no meu rosto, nas minhas costas. Deitar-me sobre ti e fazer como gostas. Esperar por ti, por nós, esquecer, morrer para nascer de novo. Liberdade, amor, verdade, olhos, boca, pele, mãos, segredos nus, bailados, corpos presos, amarrados, líquidos, retidos vertidos despejados, misturados, vícios, terminados.

quarta-feira, abril 16, 2008

Limites

Tu mulher,
e um homem,
um quarto de hotel.
Uma porta
esquecida,
não fechada.
Sons de água revoltada.
Sede, que não se sacia.
Desejo que não omites
emoções que provocam
as mais loucas sensações
e tu vais até ao fim
em atitudes sem limites.



Petra Morzé in Antares (2004) de Götz Spielmann

domingo, março 16, 2008

Cálice

tenho o vinho nas veias
a romper-me os muros
e as auroras
tenho os taninos fechados
em aromas proibidos
e o cálice dança ligeiro
entre os teus dedos estendidos
como o desejo de corpos
nas masmorras reprimidos
liberdade, palavra, verdade
puro desejo na língua
na saliva, no lábio, no beijo
e o sangue é vinho a ferver
na garganta o grito a escorrer
e tu dás-me o teu cálice de pé
olhando o infinito
para eu nele beber.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Mãos

Há mãos que apanham pássaros,
e ovos de cordoniz.
Há mãos que esmagam nozes,
e fazem de almofariz.
Há mãos que batem e lutam,
calejadas de bater.
E há mãos em que eu passeio,
no verão ao entardecer.
Há mãos de homem como as minhas,
e de mulher como as tuas.
De dedos entrelaçados,
as nossas quatro mãos,
são duas.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

O teu segredo


foto de Ashley Redding


Esse teu segredo,
que me assusta e fascina,
guarda-lo tu escondido
desde os tempos de menina.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Feitiço do tempo


Luis Royo

Sou eu, o teu velho amante
de quem já pouco recordas.
Apareço nos teus sonhos
E me esfumo quando acordas.

O tempo levou-me tudo
Só as memórias ficaram
dos nossos dois corpos nus
que num só se misturaram

Não sei qual o teu feitiço
que para sempre me encantou
contra a minha vontade

Serei sempre submisso
ao momento que ficou
marcado pela verdade

domingo, janeiro 20, 2008

Quero-te

quero-te nua e vestida
quero-te de mão dada
quero-te menina a brincar comigo
quero-te mulher deitada comigo
quero um beijo, um carinho
quero dormir lentamente e acordar de mansinho
quero conhecer os cheiros da tua casa, a luz que te ilumina
quero beijar a mulher, e amar a menina
quero a alma que me guia
quero a luz que me cega
quero amar-te livre de qualquer tola regra
quero-te de sangue quente
quero-te morder
quero-te toda para mim, enquanto viver