quarta-feira, março 14, 2018

Interstícios

in·ters·tí·ci·o
substantivo masculino
1. Intervalo separativo das moléculas de um corpo.
2. [Por extensão]  Fisga, greta.
3. Intervalo que separa dois órgãos ou dois corpos contíguos mas não unidos.
4. [Brasil]  Intervalo entre duas discussões de um projecto parlamentar.






















INTERSTÍCIOS

Tens ventre de terra-mãe
Nas florestas tropicais
De dentro de ti fluem
Fragrâncias primordiais 

Tu és fonte cristalina
De água para beber
Tens sorriso de menina
Tens da loba o saber

Nesse corpo diamante
De jóia por lapidar
Há um rio inconstante
Que corre em busca do mar

Há uma alma que grita
Em rituais sacrifícios
Espaço vazio que fica
Em secretos interstícios

Foram apenas palavras
Num poema por escrever
Versos que te inundavam 
O espaço por preencher
  
Debaixo da pele te corre
Um rio de amor sem fim
Um desejo que não morre
Contigo abraçada a mim

Os interstícios que houvesse

Da mais pequena medida
Ah, meu amor se eu pudesse
Enchia-os todos de vida!



  

 

quarta-feira, outubro 16, 2013

Praia em ti

Tens nos olhos o mar imenso
de uma lágrima que fica por verter
de uma maré toda inteira,
de uma tempestade
ainda por nascer.
Tens na boca a labareda
que encarniça o fim da tarde
tens a língua, a saliva
e a palavra que no peito arde. 
Tens a água toda inteira
inundando entre os teus seios
és sereia melodiosa
atraindo-me sem receios.
Tens no fundo do mar
um sentir doce e profundo
tesouro numa caverna
na curva mais secreta que há no mundo!













segunda-feira, setembro 23, 2013

De gatos e pés

 Não há dedos como os teus
nas gotas de chuva
nem nas violetas
do jardim na tua casa
onde pisas
um momento
em que os teus dedos brincam
saltitantes
e atrevidos
de mim fica o olhar nocturno
e na tua nudez
sabe-me a malícia gato
de te ver descalça. 





segunda-feira, agosto 05, 2013

Ausência

Entrei pela janela como brisa subindo os ramos da figueira já madura e dando contigo na cama queimando com a pele os lençóis de linho a ténue luz do candeeiro dançava nas curvas do teu corpo nu no movimento permanente da música tocando improvisando um blues a cheirar a jazz num sofrido saxofone envolto em desejo e do sentir que és tu havia na mesa um livro grosso aberto ao acaso numa página qualquer e todas as palavras escritas em letra pequena eram felicidade cheirava-me a tabaco e a incenso por isso não sabia qual de ti estava acordada ainda a noite estava escura e quanto mais escura mais brilhavam as estrelas mais brilhavam os teus olhos mais brilhavam os rios que pulsando de vida te inundavam os vales se eu tivesse mãos e corpo e boca ter-te-ia tocado ter-te-ia abraçado ter-te-ia mordido num beijo entregue suave sentido mas as almas peregrinas dissolvem-se no nevoeiro suportam a saudade e aprendem a viver com a ausência como em tempos viveram liberdade!   

terça-feira, junho 25, 2013

Beijo

Falavas do que custa um beijo
do silêncio eterno que antecede o toque
do suspenso momento
o prelúdio inocente da entrega

Falavas dos lábios pétalas
Falavas com os lábios pétalas
Como as flores se beijam dançando
Como a vida louca se celebra
no encontro profundo da tua boca

Falavas de um beijo ao luar
Um beijo quente e perfumado
sem boca
sem olhos
sem mãos
com o corpo todo entregue
de alma e coração
no beijo que fica por dar
mas não fica por receber

dado com o corpo todo
num momento por nascer.

sábado, julho 28, 2012

Sã Loucura

Como me faltam as palavras no teu silêncio
esse silêncio que me atinge o peito como um coice
que me lavra a solidão mais funda

Na terra árida não há fartura
o leite 
a carícia
o ventre pleno
a sã loucura!

quinta-feira, julho 05, 2012

O Mapa do Teu Corpo

























Na tua pele suave
vibrando sob os meus dedos
um mapa de tesouros
escondidos
esquecidos
segredos

Um mapa para ler devagar
ao sabor das ondas
e do vento suão
dos desejos
que desenho em ti
com a palma
da minha mão

Sem pressas juvenis
e sem estradas
definidas
sou um peregrino
trançando um novo caminho
para unir as nossas vidas. 


segunda-feira, junho 18, 2012

Hoje a boca


Hoje a boca secou-me
com a lembrança da tua voz
do gesto sereno
do teu corpo movendo-se em mim.

Hoje a boca pediu-me
que bebesse na concha da vida
o teu néctar
com os dedos cravados
nas minhas costas

Hoje a sede que tenho de ti
abriu um poço sem fundo
no lugar eterno
na curva mais secreta do mundo!

domingo, março 18, 2012

Dedos


lembro-me do chão onde nos amámos
do soalho duro em que moldámos os nossos corpos
e do tecido suave em que nos envolvemos
esta pele de dedos e sol
mármore branco
a tua joia rubi
leite, mel, amêndoas
dedos compridos
dedos atrevidos
imensos
em ti, em mim, na pele
nos sonhos nos segredos
nas coxas
a última peça de tecido
o reduto da moralidade
a fragilidade da muralha
que o desejou derrubou
só não sabe do que falo
aquele que nunca amou!
O desejo turva-me a consciência... 
turba-me o espírito, atiça-me o sangue!