quinta-feira, janeiro 01, 2009

segunda-feira, outubro 20, 2008

Tomilho

Vi a tua boca imaculada
falar do desejo e do prazer.

Vi lábios que mal beijaram
nunca se sentiram morder.

Colquei a minha mão na tua
e não foste mais que menina
andado comigo na rua.

Disseste que sabias a canela,
a alçafrão das Índias e pratos japoneses
cheios de humidade e brilho.

Mas da inocência dos teus dedos
revelas todos os segredos,
com esse aroma a tomilho.

Cristal

Lembro-me dos teus olhos
como facas de um cristal impuro
que se ergue no mar escuro
entre as brumas de uma tempestade

Lembro-me de te olhar
como se caísse num abismo
de vertigens loucas
de sangue quente e pele.

Lembro de ser mastro erguido
rasgando os céus cor de fogo
enquanto a minha quilha
vencia as salgadas ondas
da tua imensa maré.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Dois corpos nus

Sobre os lençóis,
mesa de jogo,
dois corpos sem trunfo lançados,
dois corpos nus, abraçados

Gestos de harmonia
plenos de sedução,
fragrâncias orientais:
canela e açafrão.

Dança, jogo, corpo
força, desejo, luta...
beber nos teus lábios a água,
morder no teu ventre a fruta.

sábado, julho 26, 2008

Fio

Olha o que se te desprende da boca,
nessa expressão louca que tens
quando te deixas ir.
Dá-me esse fio de prata
para prender ao teu corpo o meu
para todo o sempre.

quarta-feira, julho 23, 2008

Soutien (Sustentador de seios)

Fartos morenos cheios,
Colinas estreitando o vale
Esplendor sensacional
Que revelas nos teus seios

E ao ao teu lado exausto
Pelo que tínhamos dançado
Levo ao meu peito
O sustentador emprestado

Não tendo eu que sustentar
Tu ris-te sem inibição
E acertas ao atirar
Que me sustenta o coração

Todo eu tremo de desejo,
Excitação e assombro
Cada vez que dele vejo
A alça a roçar-te o ombro!

quinta-feira, julho 10, 2008

Debruçada



Lembro-me do vestido vermelho,
naquela tarde de Verão,
debruçada sobre a mesa da cozinha
a mais perfeita refeição!

segunda-feira, julho 07, 2008

Néctar

Era ciúme
lume
de quem não sabia
e sonhava
invejava
o que eu te dizia

Era perfídia
a corroer a razão
amizade
protecção
a esconder
o vazio
a solidão

o sonho
uma rosa brava
perfume do néctar
que a obreira
em mel transformava

quinta-feira, julho 03, 2008

Chove

Chove em um mim poema azul
vestido de liláses e azáleas
perfuma os cabelos da minha inocência
com o incenso sagrado dos teus silêncios


Fura a minha pedra gota a gota
e deixa-me soar como um cântaro
que se sacia na fonte

segunda-feira, junho 30, 2008

Garganta

Garganta em que a tua voz se forma
como vagas de um mar embravecido
onde o doce e limpo mel se entorna
o leite, fecundo e quente, escorre perdido.