tenho o vinho nas veias
a romper-me os muros
e as auroras
tenho os taninos fechados
em aromas proibidos
e o cálice dança ligeiro
entre os teus dedos estendidos
como o desejo de corpos
nas masmorras reprimidos
liberdade, palavra, verdade
puro desejo na língua
na saliva, no lábio, no beijo
e o sangue é vinho a ferver
na garganta o grito a escorrer
e tu dás-me o teu cálice de pé
olhando o infinito
para eu nele beber.
domingo, março 16, 2008
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Mãos
Há mãos que apanham pássaros,
e ovos de cordoniz.
Há mãos que esmagam nozes,
e fazem de almofariz.
Há mãos que batem e lutam,
calejadas de bater.
E há mãos em que eu passeio,
no verão ao entardecer.
Há mãos de homem como as minhas,
e de mulher como as tuas.
De dedos entrelaçados,
as nossas quatro mãos,
são duas.
e ovos de cordoniz.
Há mãos que esmagam nozes,
e fazem de almofariz.
Há mãos que batem e lutam,
calejadas de bater.
E há mãos em que eu passeio,
no verão ao entardecer.
Há mãos de homem como as minhas,
e de mulher como as tuas.
De dedos entrelaçados,
as nossas quatro mãos,
são duas.
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
O teu segredo
foto de Ashley Redding
Esse teu segredo,
que me assusta e fascina,
guarda-lo tu escondido
desde os tempos de menina.
sexta-feira, janeiro 25, 2008
Feitiço do tempo

Luis Royo
Sou eu, o teu velho amante
de quem já pouco recordas.
Apareço nos teus sonhos
E me esfumo quando acordas.
O tempo levou-me tudo
Só as memórias ficaram
dos nossos dois corpos nus
que num só se misturaram
Não sei qual o teu feitiço
que para sempre me encantou
contra a minha vontade
Serei sempre submisso
ao momento que ficou
marcado pela verdade
domingo, janeiro 20, 2008
Quero-te
quero-te nua e vestida
quero-te de mão dada
quero-te menina a brincar comigo
quero-te mulher deitada comigo
quero um beijo, um carinho
quero dormir lentamente e acordar de mansinho
quero conhecer os cheiros da tua casa, a luz que te ilumina
quero beijar a mulher, e amar a menina
quero a alma que me guia
quero a luz que me cega
quero amar-te livre de qualquer tola regra
quero-te de sangue quente
quero-te morder
quero-te toda para mim, enquanto viver
quero-te de mão dada
quero-te menina a brincar comigo
quero-te mulher deitada comigo
quero um beijo, um carinho
quero dormir lentamente e acordar de mansinho
quero conhecer os cheiros da tua casa, a luz que te ilumina
quero beijar a mulher, e amar a menina
quero a alma que me guia
quero a luz que me cega
quero amar-te livre de qualquer tola regra
quero-te de sangue quente
quero-te morder
quero-te toda para mim, enquanto viver
quarta-feira, janeiro 16, 2008
sábado, janeiro 12, 2008
Do outro lado do espelho
Segui-a devagar,
para lá do espelho
onde a correr esbaforido
tinha entrado o coelho.
E fomos juntos
ao chapeleiro louco
beber chá em xicaras
dançantes
E, embriagados
de emoção,
num abraço apertado
rodopiámos numa dança
rodando por todo o lado
E no fim da cerimónia
caídos de exaustão
dormimos muito abraçados
roupas espalhadas pelo chão
Do outro lado do espelho
a terra da fantasia
dormia a sono solto
nesta nova harmonia.
sexta-feira, janeiro 11, 2008
Fio de sangue
Eu vi o meu corpo
na tua areia morto
eu vi os caranguejos
e os peixes
comerem-me os olhos
e depois de devorado
ficou um fio de sangue
no areal molhado
na tua areia morto
eu vi os caranguejos
e os peixes
comerem-me os olhos
e depois de devorado
ficou um fio de sangue
no areal molhado
terça-feira, janeiro 08, 2008
Não lhe contes
Nunca lhe contes nada
por mais que queiras,
nem a ele nem a ninguém.
Toda a gente tem medos
toda a gente tem segredos
infeliz de quem não tem.
Nunca lhe digas: acabei
não murmures o meu nome
não grites ao chegar ao fim.
Solta a língua num beijo
enterra-o no teu desejo
como me enterraste a mim.
Depois de tudo sereno
passa-lhe a mão no cabelo
no nosso secreto afago.
Não lhe mostres os olhos teus
porque quem olha nos meus
vê a tristeza que trago.
por mais que queiras,
nem a ele nem a ninguém.
Toda a gente tem medos
toda a gente tem segredos
infeliz de quem não tem.
Nunca lhe digas: acabei
não murmures o meu nome
não grites ao chegar ao fim.
Solta a língua num beijo
enterra-o no teu desejo
como me enterraste a mim.
Depois de tudo sereno
passa-lhe a mão no cabelo
no nosso secreto afago.
Não lhe mostres os olhos teus
porque quem olha nos meus
vê a tristeza que trago.
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