Apeteceste-me hoje tanto tanto que o dia se arrastou sem oriente nem norte que a vida me negou um flamejo de sorte e me deu um murro no estômago desenhando impossíveis nas margem do meu caderno onde escrevo devagarinho o desejo eterno por satisfazer por te ver por te sentir por te ter por te desenhar a ponta do nariz com a minha língua por sublinhar com os meus dedos as duas curvas dos teus segredos os altos e visíveis e os outros ainda mais secretos e mais impossíveis e no meio de tanto me apeteceres tive sede de ti e de mim de um cocktail mágico fluído nacarado embutido vertido e convertido que na língua se pendura que na boca perdura que no nariz se demora e nunca nos deixa nunca se vai embora e caí no chão chorando a saudade que me afoga sem me matar que a saudade nunca se mata mas mata-nos sempre e no meio do choro solto e da melodia tardia do meu pranto só me apetecia dizer-te em agonia que hoje apeteceste-me tanto tanto!
segunda-feira, outubro 10, 2011
terça-feira, setembro 20, 2011
No canto do Silêncio
sorver o teu aroma a pêssego
e nozes com mel
perder-me no volume das tuas coxas
ser guiado pelo desfiladeiro infinito
e beber-te num grito sufocado de desejo
começar e terminar no mesmo beijo
ser eu larva e tu casulo
e numa metamorfose nossa
abrirmos num gesto só
as nossas quatro asas de mariposa!
terça-feira, julho 26, 2011
Beijo primitivo
Um beijo sulcou-te a pele,
afagou a carne,
embebedou-se em ti.
Os dedos esguios
devorando planícies
num suão abrasador.
E ao espelho
éramos um só
num cântico primitivo
ao supremo amor.
terça-feira, julho 12, 2011
Eu sou vento
Eu sou Primavera no mês de Agosto
e sou brisa fresca a beijar-te o rosto
sou vento correndo ligeiro
levantando sentimento
pelo teu corpo inteiro
Sou vento e não sou ninguém
percorro os vales e as colinas
desço cavernas abertas
bebo água nas tuas minas
refresco as zonas desertas
turvo de areia os teus olhos
sem limites nem temperança
sou vento correndo ligeiro
sou homem e sou criança.
Se solto os teus cabelos
por meus dedos penteados
sou insano insatisfeito
por segredos desvendados
sou vento que no deserto
sopro uma quente oração
sulcando no peito aberto
direito ao teu coração!
quarta-feira, julho 06, 2011
O Beijo esquecido
Enquanto falavas comigo
a minha vontade louca
imaginou ver esquecido
um beijo na tua boca.
Bebia as tuas palavras
e o teu sorriso dourado
mas meus olhos não saiam
desse beijo pendurado.
Tentava mas tu fugias
tentei e não consegui
só pensava nesse beijo
que queria roubar de ti.
Um gesto impulsivo
com prudência pouca
e lá ficou esquecido
o meu beijo na tua boca!
quarta-feira, junho 15, 2011
A tua boca
A tua boca é um rio
que corre em fio
no sentir livre
do verbo amar
um desafio
uma fonte corrente
calor e frio
sede intensa
a saciar.
Tua boca, menina,
é de mulher
mordendo sem medo
sussurrando em segredo
palavras que os outros
não ousam dizer.
Tua boca
fluindo louca
num fio de prata
é fosso que mata
e é razão de viver!
terça-feira, junho 14, 2011
Como um fogo
Como um fogo me devoras
no olhar intenso que é teu.
Como um fogo me devoras
numa paixão impossivel
que se acendeu.
Como um fogo me devoras
lançando labaredas dos teus dedos
dos lábios serrados
que se abrem em segredos
húmidos da carne ardente.
Como um fogo me devoras
e enquanto me devoras
eu sou um contigo
na chama quente!
domingo, junho 12, 2011
terça-feira, junho 07, 2011
Ser rio no teu mar
Ser rio no mar intenso
que no ventre guardas em segredo,
Ser rio fluindo, correndo em ti.
Ser sal que as vagas te tempera
ser vento que atiça o desejo
ser saliva, sangue e beijo.
Morder na tua pele a maresia
nos olhos em que a lágrima cristaliza
uma mão aberta que desliza
em ti cobrindo a breve distância
ser homem sem perder infância.
Beber em catadupas de saudade
a água do teu mar doce e profundo.
Ser vida que se instala
na mais secreta curva que há no mundo
.
E mergulhado em ti sou a saudade toda
um vazio espectro que ousou viver.
Sou rio frio no mar intenso,
e no teu fogo quente enlouquecer!
Big girl, don't cry!
Já não oiço a tua voz, sussurrando-me ao ouvido
há tanto tempo descontado, que não o tenho sabido.
Já não te toco entre os dedos, nem bebo no teu sorriso
não me revelas segredos não sacias o que eu preciso.
E tão longe um do outro, no espaço e no tempo passados
tuas palavras, músicas e anseios trazem-me os sonhos assombrados.
E as lágrimas, amor, as lágrimas?
Se te faz feliz porque choras?
Entrega-te sem demoras, à efemeridade do prazer.
De novo, comigo, lembra-te do que queres esquecer.
Eu digo fica, mas ela vai
um soluço, sufoco: Big girl, don't cry.!
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